domingo, 22 de maio de 2011

Desenvolvimento humano

A psicologia estuda o desenvolvimento do ser humano em todos os seus aspectos: físico-motor, intelectual, afetivo-emocional e social – desde o nascimento até a idade adulta.
O desenvolvimento humano refere-se ao desenvolvimento mental e ao crescimento orgânico. O desenvolvimento mental é uma construção contínua, onde as formas de organização da atividade mental vão-se aperfeiçoando e se solidificando.
Os fatores que influenciam o desenvolvimento humano são:
Hereditariedade – a carga genética estabelece o potencial do indivíduo, que pode ou não desenvolver-se. A inteligência pode desenvolver-se de acordo com as condições do meio em que se encontra.
Crescimento orgânico – refere-se ao aspecto físico.
Maturação neurofisiológica – é o que torna possível determinado padrão de comportamento.
Meio – o conjunto de influências e estimulações ambientais altera os padrões de comportamento do indivíduo

Conforme esses fatores se apresentam no/para o indivíduo, o desenvolvimento acontece nos seguintes aspectos:
Aspecto físico-motor - refere-se ao crescimento orgânico, à maturação neurofisiológica. Ex.: A criança que leva a chupeta à boca.
Aspecto intelectual – é a capacidade de pensamento, raciocínio. Ex.: A criança de 2 anos que usa um cabo de vassoura para puxar um brinquedo que está em baixo de um móvel.
Aspecto afetivo-emocional – é o modo particular de o indivíduo integrar as suas experiências. A sexualidade faz parte desse aspecto. Ex.: A vergonha que sentimos em algumas situações.
Aspecto social – é a maneira como o indivíduo reage diante das situações que envolvem outras pessoas. Ex.: Quando em um grupo há uma criança que permanece sozinha.

Não é possível encontrar um exemplo “puro” porque todos estes aspectos relacionam-se permanentemente, como veremos nas próximas postagens.

Fonte: Brasil Escola  
www.brasilescola.com


Trabalho prático (aula dia 05/04)
Conhecemos alguns programas de estimulação cognitiva desenvolvidos por governos

PROJETO DE INTERVENÇÃO PRECOCE NA ALFABETIZAÇÃO NA CAROLINA DO NORTE (EUA)
Realizado pelo Instituto de Desenvolvimento Infantil Frank Porter Graham em 1972. Estudou os benefícios potenciais da educação infantil para crianças pobres a fim de melhorar o desempenho escolar.
Foi constatado que nos primeiros anos escolares as crianças pobres mostram atrasado se comparado a outras, sugerindo o fato de que estão mal preparadas para o ensino. O projeto abecedário foi inspirado em alguns outros programas que poderiam fornecer um ambiente bem controlado para determinar a eficácia da formação da primeira infância.
             O projeto:
- 111 crianças participantes;
- 98% eram crianças afro-americanas;
- Das 111, 57 receberam os cuidados infantis de alta qualidade;
- 54 atuaram como grupo controle;
             Teve início na primeira infância (idade média de início: 4,4 meses) e perdurou por cinco anos. As crianças recebiam assistência de 6 a 8 horas por dia, cinco dias por semana. Foram desenvolvidos jogos com ênfase na linguagem. Nutrição, saúde e serviço social foram controlados para ambos os grupos, com a finalidade de garantir que esses fatores não afetassem os resultados.
            Os participantes continuaram sendo monitorados após a infância em idades específicas (6, 8, 12, 15, 21 anos). As áreas avaliadas foram: função cognitiva; habilidades acadêmicas; nível de escolaridade; emprego; paternidade; ajustamento social.
             Resultados:
- Melhoramento na leitura e na matemática;
- Aumento no QI;
- Maior tempo de estudo e aumento no nível de escolaridade;
- Maior porcentagem de envolvidos em empregos qualificados;
- Menor porcentagem de pais na adolescência;
- Redução na atividade criminosa.


Fonte: 
http://en.wikipedia.org/wiki/Abecedarian_Early_Intervention_Project

Hereditariedade ou influência do meio? (3)

A psicologia tem como foco de estudo o comportamento dos indivíduos, em especial os seres humanos, e busca compreender os seus comportamentos e processos mentais. Dentro da pesquisa na área da psicologia há inúmeras perspectivas, devido a enorme complexidade do ser humano. Há algum tempo vem se discutindo os aspectos utilizados nessa área de investigação e os fatores que nela interferem. Em meio a esses fatores destacam-se a genética/biologia e o convívio social/cultural . Até que ponto somos “determinados” geneticamente, que tipo de influências sofremos do meio social e qual a repercussão disso no nosso desenvolvimento? Essa é uma pergunta muito complexa para ser respondida de forma pontual.
A genética proporciona ferramentas importantes para a investigação do desenvolvimento, isto é, através do genótipo - material herdado dos progenitores – e do fenótipo - resultado da interação do genótipo com o ambiente – estabeleceu-se que nem todos os organismos com um mesmo genótipo parecem ou agem da mesma forma, porque a aparência e o comportamento, assim como os demais componentes do fenótipo, são modificados por condições ambientais e de desenvolvimento. Admitida à influência do meio e limitado o poder da hereditariedade, a aprendizagem torna-se fator central para o desenvolvimento humano. Aprendizagem é uma classe de comportamento que consiste em uma modificação sistemática da conduta, advinda da repetição de uma situação. O ser humano nasce com predisposição e potencial para aprender, necessitando de estímulos externos e internos, como aprender a falar, a andar. A aprendizagem se dá no meio social em que o indivíduo convive.
Os modelos atuais de desenvolvimento (em particular no desenvolvimento motor) são estruturados de forma bidimensional , levando em consideração as propriedades biológicas do indivíduo, as condições e estímulos do ambiente e as peculiaridades da tarefa executada.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Hereditariedade ou influência do meio? (2)

Reflexão sobre o filme "A menina selvagem"
Por Francielle

O filme fala sobre a história de uma menina que foi mantida isolada e presa a uma cadeira, em um quarto, pelo pai, por mais de 10 anos e como isso afetou o seu desenvolvimento psíquico, físico e motor.
Obviamente, as consequências desta atrocidade à vida de uma criança só prejudicou o seu desenvolvimento mental, psíquico e motor. Genie não possuía domínio dos movimentos motores, não sabia falar, nem ler, porém diante dos testes realizados pelos pesquisadores, o isolamento não comprometeu a sua capacidade de aprendizagem, em parte.
Levantaram-se algumas questões quanto à dificuldade encontrada na aprendizagem da linguagem, entre elas a questão de que Genie estava entrando no período crítico, que segundo os médicos é considerado um período ruim para a aprendizagem e desenvolvimento da linguagem e de outros fatores.
Outro questionamento feito foi o fato de a linguagem ter um fator genético ou se é apenas um aprendizado influenciado pelo meio.
Eu acredito, diante das histórias de Genie e do Vitor, que não existe interferência genética para o aprendizado da linguagem ou do desenvolvimento motor. O que pode existir é uma variação da pré-disposição de uma pessoa para outra a responder a um determinado estímulo. Por exemplo, se eu e mais uma menina da mesma idade, recebemos os mesmo ensinamentos e estímulos, porém eu aprendo a falar mais cedo, isso está relacionado a determinados fatores que não são genéticos, fatores inerentes à minha pessoa, personalidade e facilidade no desenvolvimento, talvez isso explique os talentos, que não são genéticos.
Também acho que, o fator fundamental na aprendizagem de qualquer coisa, tanto da linguagem quanto o andar, é totalmente dependente do meio. O meio, as pessoas influenciam na formação de qualquer ser humano, como percebemos no filme do menino selvagem, em que o Vitor criado na mata, possuía hábitos de selvagens de animal, na forma de andar, comer, sentir. O organismo se prepara, se adapta ao meio a que ele está condicionado. O mesmo aconteceu com Genie, quando descoberta e quando entrou em contatos com as pessoas, natureza desenvolveu uma relação afetiva com determinadas pessoas, conseguiu minimamente se comunicar devido ao estimulo, ao ensino e à influencia exercida pelo meio.
Porém, vimos também que ela atingiu um ponto de aprendizagem e estagnou nele, não demonstrou mais avanços e isso demonstrou de certa forma que a teoria do período crítico apresentou veracidade.
Portanto, acredito que há um conjunto de fatores que influência no aprendizado e desenvolvimento da linguagem, o primeiro e sem dúvida nenhuma, é o meio em que a pessoa está inserida, a relação com outras pessoas e o estimulo recebido, segundo fator é que após uma determinada idade o ser humano encontra muitas dificuldades neste aprendizado e terceiro é de que acredito ter uma variabilidade no nível de aprendizado de uma pessoa pra outra, para umas terem maior facilidade em aprender determinadas coisas que outras que não se explica pela genética, mas algo semelhante ao “talento”. Não saberia dar uma explicação científica para tal fenômeno, porém ele existe na sociedade.

Hereditariedade ou influência do meio?

Reflexão sobre o filme "A menina selvagem"
Por Jossana

Para além de sensibilizar-nos, a história de Genie nos permite refletir sobre questões éticas, científicas, jurídicas. Que consequências o isolamento trouxe para Genie? Os cientistas agiram corretamente? Ela tinha retardamento mental desde que nasceu? Ela conseguiria aprender a falar? Esses e outros questionamentos tornaram a realidade de Genie fonte de pesquisa que poderia trazer avanços para a ciência, principalmente nas teses do aprendizado da linguagem e da relação entre hereditariedade e relevância do meio para a socialização do indivíduo, sobretudo porque as condições de isolamento jamais seriam reproduzidas intencionalmente.
A mudança da realidade traumática para um ambiente carinhoso, juntamente com o longo processo de aprendizagem, possibilitaram a Genie sua socialização. Ela aprendeu a se comunicar através da linguagem de sinais e da fala. Como disse um membro da equipe, o processo deu a ela novas experiências de vida, tal como tinha acontecido com Victor, o menino selvagem descoberto no interior da França em 1800.
Acredito que os casos de Genie e Victor comprovam que o indivíduo se torna homem a partir das suas relações com a natureza e com os outros homens. Enquanto isolados, seus hábitos eram selvagens. Foi necessário um processo educacional para a identificação e assimilação de elementos culturais da humanidade que permitem a vida em sociedade, entre eles o comportamento e a linguagem.
A hipótese de Linnemberg sobre o período crítico para o aprendizado da linguagem aparentemente foi confirmada, pois Genie, embora tenha aprendido as palavras, apresentou dificuldades de organizá-las gramaticalmente. Logo, quanto mais avançado o processo de maturação, mais difícil será a aprendizagem. Todavia, não penso que isso define o fator genético e biológico como principal. O ser humano tem realmente funções psíquicas superiores que permitem o aprendizado, mas elas precisam ser estimuladas. Como comentamos em aula, um gato não aprenderá a falar de forma alguma, pois sua natureza não permite. Um menino pode aprender a falar, desde que seja ensinado. Porém, se o menino crescer somente com gatos, ele agirá como gatos e se comunicará como gatos. Portanto, os fatores genéticos do homem, por si só, não permitem que ele aprenda os elementos culturais que o humaniza. Esses fatores precisam ser estimulados pelo meio, pelas relações sociais, pela educação.

terça-feira, 29 de março de 2011

Ciência e Senso Comum


Durante a vida cotidiana vamos adquirindo várias aprendizagens, por via do hábito e da tradição, que passam de geração para geração. Assim, aprendemos comportamentos, valores éticos e morais, bem como a agir e nos relacionar com as pessoas e o meio à nossa volta.
Na vida cotidiana, as teorias científicas são simplificadas, quer seja para viabilizar seu uso no dia-a-dia, quer seja pela interpretação sempre singular dos fatos vividos, que muitas vezes parecem contradizer as considerações feitas pela ciência. É justamente o conhecimento que vamos acumulando no nosso dia-a-dia que é chamado de senso comum. O senso comum mistura e recicla saberes muito mais especializados e os reduz a um tipo de teoria simplificada, produzindo uma determinada visão-de-mundo. Assim, “o senso comum é este saber empírico e imediato que adquirimos espontaneamente sem nenhuma procura sistemática ou metódica e sem qualquer estudo ou reflexão prévia”¹
           Já o pensamento científico difere do senso comum, conhecimento subjetivo ou empírico, baseado em hábitos, em tradições e superstições. A atitude científica se propõe a explicar de maneira mais profunda problemas e dúvidas onde, aparentemente, enxergamos coisas e fatos. Por meio de atividades técnicas, intelectuais e experimentais, a investigação científica busca a compreensão dos fenômenos da realidade, afastando-a de mitos e dogmas
           A ciência permite o afastamento da realidade para compreendê-la melhor, transformando-a em objeto de investigação - o que permite a construção do conhecimento científico sobre o real. A ciência é composta de um conjunto de conhecimentos sobre fatos ou aspectos da realidade (objeto de estudo), expresso por meio de uma linguagem precisa e rigorosa. A ciência tem ainda uma característica marcante do pensamento positivista desenvolvida do século XIX: ela aspira à objetividade. Suas conclusões devem ser passíveis de verificação e isentas de emoção isto é, busca-se atingir a neutralidade, para, assim, tornarem-se válidas para todos, ou seja, poderem ser generalizadas em todas as situações. . Em outras palavras, podemos definir ciência como a explicação racional da realidade, baseada em métodos sistemáticos de pesquisa.
Então, pode-se dizer que o senso comum e a ciência são coisas distintas, mas que se completam. A partir de problemas do cotidiano das pessoas, surge a necessidade de pesquisar, de aprofundar interpretações dos achados e propor soluções para superar as dificuldades enfrentadas pela população. A ciência existe para esclarecer aspectos problemáticos do senso comum, fornecer respaldo aos questionamentos e fundamentar cada conhecimento produzido em resposta às demandas, sendo esta um conhecimento em constante mutação, dinámica.


¹ Introdução à Filosofia. Marcello Fernandes; Nazaré Barros.